Kaique Theodoro revelação da música nacional fala de sua carreira e polêmicas

Em 2017, o Brasil viu despontar nomes importantes e impactantes no cenário musical nacional. Pabllo Vittar, uma ‘Drag Queen’ se tornar o maior fenômeno pop da atualidade. Viu surgir uma cantora trans Liniker, se firmar na cena da MPB e uma travesti ‘Mulher Pepita’, fazer barulho na cena do funk. Viu um homem transexual ganhar a cena como o primeiro cantor trans., aumentando ainda mais a representatividade da diversidade no país. Seu nome: Kaique Theodoro.

Kaique de Oliveira Theodoro é músico, ator e modelo nas horas vagas. Com 24 anos, ele já carrega grandes experiências. Transexual, ele não se intimida e é o primeiro homem transexual a se apresentar musicalmente pelas noites cariocas. Kaique se apresentou no último dia 3 de junho na grande festa de encerramento da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, tomando conta de um palco com milhares de pessoas que ouviram pela primeira vez seus novos singles “Experimenta” e “Dom”, distribuídos em todas as plataformas digitais.

Theodoro tem como maior referência na cena pop a cantora Pabllo Vittar, que conheceu na gravação de uma edição do programa “Amor e Sexo” sobre identidade de gênero. Posteriormente, ele fotografou a diva para a capa de uma publicação LGBT.  “Ela é, sem sombra de dúvida, a minha maior inspiração.”  Já com as suas músicas hoje em dia o artista tenta levar alegria. Vê a música como algo muito além de entretenimento, a música tem o poder de transformar pessoas. “Poder cantar para gente que nunca nem ouviu falar de corpos transmasculinos é incrível, pois isso é mostrar pra toda uma sociedade que nós somos capazes de ocupar os palcos também, de que nós existimos”. 

Recentemente o cantor Nego do Borel, lançou seu novo clipe “Me larga” vestido de mulher e beijando um homem. Para Kaique Theodoro, o clipe é tão violento quanto a homofobia e transfobia em si, além do personagem ser carregado por uma misoginia nada pouco velada. “Não precisa nem entrar na relação do apoio dele a políticos que se declaram extremamente preconceituosos, em resumo, foi uma chacota. A vida de pessoas LGBTI+ não é uma piada. Uma coisa é você, como artista, dar de fato visibilidade a pessoas LGBTI+ colocando-as como protagonistas de si mesmas. Outra coisa é se apropriar disso para tentar se promover ridicularizando essas mesmas pessoas”. Afirma o cantor.

Quando o assunto é falar sobre a comunidade LGBTI+, o cantor diz que é muito complicado quando você vive uma vida inteira a base de lutas pelos seus direitos e de repente aparece alguém que se sente no poder de usar isso praticamente contra você. Kaique diz não ser apenas sobre Nego do Borel, mas diversos artistas já vêm fazendo isso de uma maneira muito sínica, constroem toda uma carreira a base do público LGBT+ e disparam seus preconceitos em redes sociais e afins. “Infelizmente nós temos a péssima mania de endeusar artista e nos esquecemos das nossas próprias histórias, sabe? Tem que saber separar as coisas e nunca deixar de falar e expor esses fatos, só assim os artistas e formadores de opinião vão perceber seus erros e só assim teremos visibilidade de verdade. No fim, é nós por nós”. Conclui o cantor.

O artista tem a consciência e sabe a importância que é ser um representante trans na cena musical. “Eu quero mostrar que os trans existem, resistem e fazem arte“. Participa de coletivos e de movimentos a favor da comunidade trans, reafirmando seu espaço na sociedade.

Conheça o novo trabalho do cantor: ” Dom” https://www.youtube.com/watch?v=FMm7Rzl9GgA

Canal oficial no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCgvw7GKEx7_E402_tUc-J5w

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