Mais sete escolas abrilhantaram a 2ª noite dos desfiles do carnaval de São Paulo

Por Renato Cipriano

A Zona Norte da cidade de São Paulo teve mais uma noite de festa e reuniu milhares de pessoas que lotaram as arquibancadas do Sambódromo do Anhembi, para prestigiarem a segunda noite dos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial do carnaval paulistano, neste sábado, dia 10 de fevereiro.

Nesta noite grandes nomes da música brasileira foram homenageados, com Gilberto Gil que foi a grande inspiração da Vai-Vai e a talentosa e querida Alcione que deu cores ao samba enredo da Mocidade Alegre.

A abertura dos espetáculos ficou na responsabilidade da agremiação X-9 Paulistana, que foi a grande campeã do grupo de acesso no carnaval do ano passado, e como determina o regulamento possui a missão de abrir a 2ª noite dos desfiles no carnaval deste ano.

A escola do bairro da Parada Inglesa, bem pertinho do Sambódromo, apresentou um enredo voltado para os ditados populares, porém deu um tom político durante o desfile, e trouxe um carro com o título de “A Casa da Mãe Joana”, no qual os integrantes estavam vestidos de juízes e de políticos com malas de dinheiro e notas na cueca. Alguns deles tinha o terno sujo de lama e vestiam faixa presidencial.

X-9 Paulistana - Credito da Foto: Renato Cipriano
X-9 Paulistana – Credito da Foto: Renato Cipriano

A segunda escola a se apresentar foi a Império de Casa Verde que levou o enredo de título “O povo, a nobreza real”, onde a escola abordou temas atuais da realidade brasileira, como desigualdade, impunidade, liberdade e insatisfação do brasileiro. Juntou samba e Revolução Francesa para fazer uma crítica sobre o que chamou de “caos do Brasil”, fazendo um paralelo entre o Brasil de hoje e a França do século XVIII.

A escola veio com boa parte de suas alas coreografadas e apresentou carros alegóricos bem luxuosos contendo muita encenação.

Abre Alas Império de Casa Verde - Credito da Foto: Renato Cipriano
Abre Alas Império de Casa Verde – Credito da Foto: Renato Cipriano

A seguir foi a vez da Mocidade Alegre, escola do bairro do limão, que prestou uma grande homenagem a ‘Marrom’, a querida cantora Alcione, sendo considerada uma das mais notórias sambistas do país, e como não poderia ser diferente, logo na largada do desfile, o grito de guerra foi realizado pela artista que convocou toda a comunidade para realizar um desfile com muita garra.

Com o enredo de título “A voz marrom que não deixa o samba morrer”, a agremiação fez um desfile bastante técnico, com muita organização e alas bem criativas, onde teve Alcione do início ao fim, onde fechou com chave de ouro e a presença da sambista como destaque no último carro onde representava a Mangueira, escola carioca do coração da Marrom.

Alcione no último carro da Mocidade Alegre - Credito da Foto: Renato Cipriano
Alcione no último carro da Mocidade Alegre – Credito da Foto: Renato Cipriano

A quarta escola a entrar na passarela do samba foi a Vai-Vai, que também trouxe em seu enredo um grande artista para homenagear a sua comunidade, sendo desta vez o talentoso Gilberto Gil e seus 55 anos de carreira como fonte de inspiração que envolveu o público presente no Anhembi.

Os Filhos de Gandhi também foram tema do último carro alegórico, onde veio Gil ao lado de sua mulher, Flora, e o filho Bem, entre alguns amigos.

A agremiação do bairro da Bela Vista, é a maior campeã do carnaval paulistano com 15 títulos do Grupo Especial.

Vai-Vai - Credito da Foto: Renato Cipriano
Vai-Vai – Credito da Foto: Renato Cipriano

A escola a seguir a adentrar e abrilhantar o Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, foi a Gaviões da Fiel que prestou uma homenagem ao contar a história de Guarulhos, cidade com a segunda maior população do estado de São Paulo.

A agremiação oriunda da torcida do Corinthians, contou com a estreia do carnavalesco Sidnei França, que preparou um espetáculo com a fábula protagonizada pelos índios Guarus, habitantes da região. Várias alas e fantasias apostaram em tons de dourado e prateado, para retratar a busca por riquezas no local e uma “maldição” com a chegada de pessoas gananciosas, os brancos.

Gaviões da Fiel - Credito da Foto: Renato Cipriano
Gaviões da Fiel – Credito da Foto: Renato Cipriano

Provando que a rivalidade está apenas nos campos de futebol, dentro dos gramados, a penúltima escola a desfilar nesta segunda noite de espetáculos, foi a Dragões da Real, oriunda da torcida de futebol do São Paulo, a qual levou a música caipira para a passarela do samba.

Com o enredo de título “Minha música, Minha raiz! Abram a porteira para essa gente caipira e feliz!”, a escola do bairro da Vila Anastácio trouxe o cantor Sérgio Reis participando da comissão de frente, onde interpretou um fazendeiro em meio a camponeses, enquanto que a cantora Roberta Miranda foi destaque em um dos carros que mostrava a música sertaneja.

Ala das Baianas da Dragões da Real - Credito da Foto: Renato Cipriano
Ala das Baianas da Dragões da Real – Credito da Foto: Renato Cipriano

Encerrando os desfiles do grupo especial, a última escola a abrilhantar foi a Unidos de Vila Maria que cantando o México e os personagens do seriado “Chaves” e “Chapolin”, criados por Roberto Bolaños.

Além dos seriados mexicanos, ícones como a pintora Frida Kahlo (lembrada pelas baianas) e os mariachis tiveram destaque. A escola da Zona Norte começou seu desfile mostrando o México como “berço das civilizações maia e asteca”; depois, festividades típicas do país apareceram nas alegorias, como a Procissão da Virgem Guadalupe, a Festa da Independência e o Dia dos Mortos.

Os 280 membros da bateria estavam vestidos de Chaves, e outra ala lembrou Dona Florinda, Quico, Seu Madruga, professor Girafales e Dona Clotilde.

Logo na abertura no primeiro setor do sambódromo um grande susto, a saia da primeira porta bandeira caiu durante a apresentação e a escola não teve outra opção a não ser improvisar e seu mestre sala como grande defensor do Pavilhão e de sua dama, retirou parte de sua capa que estava presa nas costas de sua fantasia e amarrou na cintura de sua parceira, que bravamente e com maestria seguiram bailando e apresentando o pavilhão da agremiação, porém desta vez o pavilhão do enredo ao invés do pavilhão oficial.

Casal de MS&PB da Unidos de Vila Maria - Credito da Foto: Renato Cipriano
Casal de MS&PB da Unidos de Vila Maria – Credito da Foto: Renato Cipriano
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